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Como a inteligência artificial vai mudar a forma de fazermos contratos em um futuro próximo?

Em uma de suas obras mais importantes, o escritor e filósofo Umberto Eco dividiu o mundo entre “apocalípticos” e “integrados”. Os primeiros são aqueles avessos às mudanças, que vêem nelas um “fim de uma era”; os segundos são abertos às novidades e vêem nelas o “início de uma era”. Esteja você de qualquer um dos lados, o fato é que a inteligência artificial é hoje um dos ramos que mais crescem dentro da tecnologia. E o mundo dos contratos jurídicos é a mais nova “vítima” da chegada dos softwares avançados.

Antes de tudo, vale uma explicação simplificada para entendermos o que é inteligência artificial, nos termos de desenvolvimento que nos interessa nesse caso específico. Trata-se de tecnologias que, a partir da leitura de enormes bancos de dados, coletam essas informações e as cruzam na tentativa de encontrar padrões, criando assim modelos escaláveis e adaptáveis.

A inteligência artificial, portanto, aprende com o nosso comportamento, pois cada ação que fazemos impacta nos padrões gerais. Um bom exemplo de inteligência artificial em nosso dia a dia é o Google, que baseado nas suas pesquisas anteriores mostra resultados nas suas buscas que tenham um contexto mais adequado àquilo que você costuma buscar.

A inteligência artificial no mundo dos contratos

Entre os muitos ramos no qual as aplicações de inteligência artificial vêm sendo testadas, um deles é o dos contratos. Em certas ocasiões, elas têm se mostrado cada vez mais eficientes para identificar brechas e falhas contratuais, problemas esses que nem mesmo os mais renomados advogados de uma área têm sido capazes de encontrar.

Um desses casos foi publicado pela plataforma LawGeex, que confrontou as possibilidades do seu software com o conhecimento de renomados professores da Stanford University, da Duke University School of Law e a da University of Southern California. Aos competidores foi proposta a análise de 5 contratos de NDA (non-disclousure agreement) para que fosse possível identificar pelo menos 30 problemas legais nesses textos.

Os resultados foram surpreendentes. Os advogados obtiveram um índice de acerto de 85% enquanto a máquina alcançou a marca de 95% de acerto. Um detalhe: o computador conclui a tarefa em 26 segundos enquanto os advogados precisaram de 1 hora e 32 minutos para analisar os documentos. Além disso, em um dos contratos a inteligência artificial atingiu 100% de acerto enquanto o máximo que os humanos conseguiram foi 97%.

Entendendo as ferramentas de inteligência artificial

Obviamente, essa é uma moeda que tem dois lados. De um lado, escritórios de advocacia veem nas ferramentas de inteligência artificial uma oportunidade de substituir empregados por máquinas na hora de fazer um trabalho, de certa forma, burocrático como esse. Por outro lado, há quem diga que isso geraria um grande desemprego de forma que o uso dessas ferramentas precisa ser regulamentado.

O fato é que os dois lados têm as suas razões. No entanto, especialistas da LawGeex apontam ainda um outro caminho. A construção dessas ferramentas de inteligência artificial só é possível graças ao ordenamento que os programadores e advogados dão a elas. Saber o que perguntar e como perguntar é tão importante quanto ter acesso às ferramentas certas e é aí que existem oportunidades para os futuros advogados.

“Eu acredito fortemente que estudantes de Direito e advogados recém-formados precisam entender essas ferramentas de inteligência artificial e outras tecnologias. Elas vão ajudar eles a se tornarem melhores profissionais no futuro e vão moldar a prática legal daqui em diante”, explica Erika Buell, professora da Duke University School of Law.

O papel da inteligência artificial no futuro

Não há dúvida de que esse é um caminho sem volta. Aqueles que decidirem “lutar” contra um possível avanço tecnológico nesse sentido, o máximo que conseguirão é postergar a sua massiva implementação. Na verdade, podemos comparar esse avanço com qualquer outro avanço tecnológico nas últimas décadas.

No começo, muitos torciam o nariz para os celulares, mas hoje a grande maioria das pessoas depende dos smartphones para fazer as tarefas do seu dia a dia. Saber quando isso exatamente vai acontecer é que permanece sendo um mistério. Em países mais avançados, é claro, as novidades vão chegar primeiro, mas isso não significa que as nações em desenvolvimento estão imunes.

Assim que os custos se tornarem mais acessíveis, é natural que muitas empresas migrem para processos como esses. Como foi, por exemplo, o crescimento na adoção de softwares de gerenciamento de estoques e finanças. Hoje é difícil encontrar empresas que não estejam conectadas e saem na frente aqueles que sabem fazer bom uso das ferramentas.

No caso da inteligência artificial, o caminho não parece ser diferente. Assim, mais importante do que saber da existência dessa possibilidade, vale a pena começar a pesquisar e preparar a sua companhia para o momento em que essa realidade for inevitável. Novamente, convém ressaltar: saber usar novas ferramentas tecnológicas é hoje um dos diferenciais tecnológicos mais valiosos que a sua empresa pode ter.

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